Ansiedade: 4 coisas que você precisa saber

Na última década, a palavra “ansiedade” tem sido cada vez mais ouvida, nos mais diversos ambientes. É cada vez mais comum conversar com alguém que se diz ansioso. Ou, talvez, você mesmo(a) perceba na sua vida expressões da ansiedade e se auto intitule assim. O fato é que, neste mundo moderno, o tempo todo nos é exigido fazer as coisas com rapidez e eficiência, sem espaço para erros. Assim, nossos pensamentos estão sempre acelerados e voltados para nossos compromissos e planos – pessoais ou profissionais. Mas, afinal, o que é a ansiedade?

Partindo do ponto de vista da Gestalt-terapia – abordagem psicológica que estimula a integração entre aspectos racionais, emocionais e fisiológicos –, a ansiedade é um estado emocional dirigido para o futuro. Ou seja, é uma preocupação incômoda , normalmente pessimista ,  com algo que ainda não aconteceu. As expressões da ansiedade acontecem nos níveis do pensamento, sentimento e comportamento, o que significa que ela atua na totalidade do ser humano. Porém, existem muitos mitos acerca da ansiedade e seus sintomas. Pensando nisto, listei abaixo 4 coisas que você precisa saber sobre este tema:

1) Todo mundo é, em algum nível, afetado pela ansiedade

A primeira coisa que é preciso fazer é explanar a diferença entre sintomas ansiosos e transtornos de ansiedade. Os sintomas ansiosos são o modo como a ansiedade se expressa. Pensamentos dirigidos para o futuro, preocupação excessiva e o medo de algo dar errado que gera palpitações e que até mesmo nos imobiliza. Sobre esse tipo de ansiedade, pode-se dizer que todo mundo já a experimentou, em algum momento. Pois, da forma como nossa sociedade está organizada, é impossível não nos preocuparmos com o futuro.

Em relação aos transtornos de ansiedade, são patologias diagnosticadas por um profissional qualificado, e incluem o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), o Transtorno de Pânico, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), os transtornos fóbicos em geral, dentre outros. Cada um desses transtornos são caracterizados por formas de expressão muito particulares, e só podem ser devidamente diagnosticados por médicos psiquiatras e neurologistas. Portanto, nada de autodiagnostico e/ou automedicação, ok? Nem todo sintoma ansioso caracteriza um transtorno de ansiedade!

Isso não significa que seja fácil lidar com os sintomas ansiosos. Cada pessoa apresentará níveis diferentes de dificuldade, bem como modos diferentes de lidar com a ansiedade. Porém, independente da forma de expressão dos seus sintomas e do seu nível de ansiedade, quanto mais autoconhecimento você tiver, mais apto(a) você estará para trabalhar essa questão. Um bom referencial é considerar o quanto de prejuízo essas preocupações lhe causam na sua rotina, e se os seus sintomas ansiosos atrapalham na sua funcionalidade, isto é, te impedem de realizar suas atividades diárias.

2) “Você deve aprender a controlar sua ansiedade!”. Será?

Você provavelmente já recebeu este conselho de alguma(s) pessoa(s) com quem decidiu falar sobre sua ansiedade. É consenso na psicologia que nós, seres humanos, temos uma tendência a rejeitar – em nós mesmos e nos outros – características que não nos agradam. O grande problema é que, ao rejeitá-las em si mesmo, você vai tentar cuidar para que essas características nunca aflorem, reprimindo-as. Porém, não é porque você escolhe esconder sua ansiedade que ela deixará de existir. Pelo contrário: ao tentar reprimi-la, você estará evitando entrar em contato com ela e refletir sobre. O que vai, na verdade, torná-la ainda mais forte.

Imagine que você está vivenciando uma situação que o(a) deixe ansioso(a). E quando o sentimento de ansiedade vem, acompanhado pelos pensamentos ansiosos, você escolhe simplesmente ignorá-los e agir como se eles não estivessem ali. Além disso, você sente raiva de si mesmo(a) por ter esses tipos de pensamentos, o que também contribui para te deixar ainda mais nervoso(a). Isso ajuda em alguma coisa? É claro que não. E pelo contrário, só atrapalha!

Mas, o que fazer, então? A resposta é simples, embora nada fácil de executar: aceitar e compreender. Quanto mais eu me dou conta da minha ansiedade, e dos pensamentos ansiosos gerados por ela, mais posso integrá-los e aceitar a mim mesma, além de desenvolver estratégias para lidar com as dificuldades do dia-a-dia.

3) Planeje o futuro, mas não se esqueça de viver o presente

Quando o futuro é motivo de preocupação constante, é difícil sobrar tempo para dar atenção ao presente. Deste modo, uma das técnicas psicológicas mais eficazes utilizadas com pessoas que apresentam sintomas ansiosos é ensiná-las a se conectar com o aqui-e-agora.

Isso pode ser feito de várias formas, sempre conduzidas por um profissional qualificado, mas todas elas têm como objetivo fazer uma pausa nos pensamentos direcionados para o futuro que causam preocupação (“Preciso pagar as contas!”; “Preciso terminar o relatório hoje!”) e focar no que você estiver de fato vivenciando no momento: “Como estou me sentindo agora?”; “Estou entregue à atividade que estou realizando neste momento?”; “Como está minha respiração?”; “Existe alguma parte do meu corpo tensa?”. Ao realizar este tipo de exercício – que parece simples, mas não é –, é possível notar uma imediata redução da ansiedade.

É super importante ter um planejamento para o futuro, construir um projeto de vida. No entanto, é necessário haver o equilíbrio disso com o foco no momento presente. Afinal, além do incômodo e das perturbações geradas pelos pensamentos ansiosos, o perigo de estar o tempo todo voltado para o futuro é acabar não vivenciando inteiramente as experiências do momento presente e se arrepender disso mais tarde. Além disso, é essencial se atentar para a sua reação quando as coisas não ocorrem conforme o planejado, a chamada “resistência à frustração”.

4) Um(a) psicólogo(a) pode te ajudar

Um dos recursos mais eficazes para ajudar as pessoas a lidar com sua ansiedade é o acompanhamento psicológico. A Gestalt-terapia, por exemplo, é uma abordagem que tem como objetivo promover o “dar-se conta”, ou seja, auxiliar o(a) cliente a tomar consciência de seus sentimentos, pensamentos, comportamentos e reações fisiológicas, e como eles estão interligados entre si. Através disso, é possível trazer reflexões e vislumbrar novas possibilidades para enfrentar as adversidades do dia-a-dia.

Recomendado: O que é a Gestalt-terapia?

Um(a) psicólogo(a) vai ajudá-lo(a) a alcançar a integração descrita no item 2, desenvolvendo seu autoconhecimento e sua autoconsciência. Desta forma, com o autoconhecimento ampliado somado ao uso de técnicas de presentificação e relaxamento, você estará mais apto(a) a lidar de forma saudável com sua ansiedade.

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Raissa Dias Vieira de Assis

Raissa Dias Vieira de Assis

Psicóloga graduada pela UFMG e com formação em Gestalt-terapia. A Gestalt-terapia é uma abordagem pautada no método fenomenológico, e se baseia na vivência individual de cada pessoa, na relação terapêutica e na conscientização de suas experiências. Indicada em várias situações, como ansiedade, estresse, dificuldades de relacionamento, fobias, TOC, baixa autoestima, conflitos existenciais e outras questões emocionais contemporâneas. Busca auxiliar em uma maior integração emocional, fisiológica e racional, prezando pelo autoconhecimento. Minha experiência se dá principalmente com atendimento individual de adultos, sendo que meu objetivo é sempre ajudar a ampliar suas possibilidades, trazendo auto-conscientização e auto-reflexão para auxiliar nas escolhas e adversidades do dia-a-dia. Agende uma consulta e conheça os benefícios do acompanhamento psicológico! Caso os horários disponíveis não se encaixem na sua disponibilidade, entre em contato para que possamos encontrar outro que melhor lhe atenda.
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