Como os problemas familiares influenciam na aprendizagem da criança?

Cartoon demonstrando aos pais quão importante são as atividades na educação infantil

Como eu sempre digo aos meus pacientes: “Problema de adulto é problema de adulto. Problema de criança é problema de criança.” O que isso significa? O que isso tem a ver com dificuldades de aprendizagem ou atividades na educação infantil?

Problemas e dificuldades todos nós temos. A grande questão é: saber separar o que pertence às preocupações e às questões que são dos adultos, para que eles se preocupem e solucionem os imprevistos da melhor maneira possível e, o que é da dificuldade e da capacidade da criança em saber lidar com as questões e preocupações que são delas e que cabe aos adultos apenas auxiliarem nesses momentos difíceis da infância.

Atividades na educação infantil

Quando uma criança vai para a escola preocupada com a separação dos pais, com a dificuldade financeira da família, se o papai pagou a pensão desse mês, com a doença da vovó, com a briga de ontem do papai e da mamãe e tantos outros problemas de adultos, como ela terá calma, tranqüilidade e disponibilidade para pensar em aprender o que a professora está ensinando lá na escola?

É importante que nós, adultos, tenhamos o cuidado de não brigarmos perto das crianças, conversarmos sobre assuntos difíceis em momentos em que a criança esteja brincando ou até mesmo na escola, por exemplo, para que a criança possa ser criança e se preocupar apenas com aquilo que é do mundo dela: a nota da escola, a tarefa de casa, o amiguinho que emprestou o caderno, o brinquedo que quebrou, a hora de ir ao futebol, o pedido do presente ao Papai Noel… o que mais precisa povoar os pensamentos e preocupações das crianças? Nós adultos sabemos responder a essa pergunta?

Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

Vejo crianças sendo diagnosticadas com TDAH e, ao fazer a anamnese e as entrevistas iniciais, não encontro as mesmas crianças porque as vejo saudáveis, capazes, organizadas, com habilidades diversas, e fico me perguntando: onde estão os pensamentos dessas crianças tidas como desatentas e hiperativas?

Claro que as crianças precisam saber da realidade familiar quando, por exemplo, há o desemprego e a impossibilidade financeira de se fazer uma festa de aniversário, ou, que há sim a possibilidade de uma separação dos pais, porém, é de responsabilidade dos adultos em dar a segurança e a confiança de que as questões estão sendo solucionadas da melhor maneira possível e que ela não precisa se preocupar, porque esses imprevistos são dos pensamentos dos adultos somente. Quando os adultos tomam para si as próprias responsabilidades, eles conseguem devolver para as crianças as responsabilidades que são delas.

Se você, adulto, está com dificuldades e percebe que a sua criança está com dificuldades escolares também, procure ajuda de profissionais que possam orientá-lo nesse momento. É muito importante que a criança seja criança, assim como é muito importante que o adulto seja adulto. Dificuldades escolares, muitas vezes, são dificuldades familiares que precisam ser olhadas com mais atenção. Pense nisso!

Leia também o nosso post sobre carência afetiva e entenda sobre esse sintoma!

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Luciana de Oliveira Castro Ortiz Raveli

Luciana de Oliveira Castro Ortiz Raveli

Atuo clinicamente desde 2010 com formação em Avaliação Neuropsicológica para crianças e adolescentes até 16 anos. Graduada pela Universidade Metodista de Piracicaba e Pós-graduanda em Neuropsicologia pela UNIARA. Experiência de 4 anos com pacientes terminais e grupos de apoio a familiares e pessoas com câncer. Atuei no Ambulatório de Saúde Mental de Porto Feliz - SP como Psicóloga Infantil através de grupos e orientação a pais/responsáveis. Também fui membro do Programa de Planejamento Familiar deste município em 2015. Atualmente sou Psicóloga na APAE - Porto Feliz atendendo crianças, adultos e famílias portadores de necessidades especiais.
Luciana de Oliveira Castro Ortiz Raveli

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Luciana de Oliveira Castro Ortiz Raveli

Atuo clinicamente desde 2010 com formação em Avaliação Neuropsicológica para crianças e adolescentes até 16 anos. Graduada pela Universidade Metodista de Piracicaba e Pós-graduanda em Neuropsicologia pela UNIARA. Experiência de 4 anos com pacientes terminais e grupos de apoio a familiares e pessoas com câncer. Atuei no Ambulatório de Saúde Mental de Porto Feliz - SP como Psicóloga Infantil através de grupos e orientação a pais/responsáveis. Também fui membro do Programa de Planejamento Familiar deste município em 2015. Atualmente sou Psicóloga na APAE - Porto Feliz atendendo crianças, adultos e famílias portadores de necessidades especiais.

7 thoughts on “Como os problemas familiares influenciam na aprendizagem da criança?

  1. Doutora, olá, me chamo Amadeu Epifânio, tornei-me psicanalista através de uma pesquisa sobre influência pregressa em respostas emocionais, que desenvolvo à 18 anos. Gostaria de fazer-lhe uma pergunta, se me permite. O que você acha dos terapeutas (e não a psiquiatria) fazer o levantamento do diagnostico de transtorno psiquiátrico ? Pergunto isso em razão dos psiquiatras não fazerem uma anamnese tão apurada quanto os terapeutas e sempre há a a chance de errarem no diagnostico, levando os pacientes ao sofrimento, em razão dos efeitos colaterais de remédios, prescritos erroneamente por causa do erro do diagnostico ? Para conhecer meu trabalho, acesso o meu blog: http://deondeparei.blogspot.com.br

    Obrigado.

    1. Olá, Amadeu! De fato, a medicalização dos transtornos psiquiátricos nos incomoda muito, uma vez que, muitos casos podem ser amenizados através de um acompanhamento psicoterapêutico/psicanalítico realizado por profissionais bem formados e, portanto, capacitados para realizar um trabalho sério e ético junto ao paciente, principalmente quando se trata de crianças. Penso que seja importante para a nossa profissão, termos parcerias com psiquiatras da nossa confiança, para que os procedimentos sejam realizados de maneira mais eficaz e humana. Há muitos psiquiatras excelentes no mercado. Se nós, que não somos psiquiatras, fizéssemos o levantamento do diagnóstico, teríamos que ter uma outra formação até para podermos medicalizar os casos mais graves dos transtornos, o que penso que seria um processo de formação acadêmica muito diferente da que temos atualmente. Existem muitos cursos presenciais ou no formato EAD que nos oferece o conhecimento básico sobre psicofármacos que nos dão uma base de conhecimento para podermos acompanhar o nosso paciente e, assim, compreendermos os efeitos positivos e negativos das medicações receitadas e, assim, podemos orientá-los a conversar com o psiquiatra sobre os acontecimentos e, se necessário, podemos até orientá-lo a procurar outro profissional. Penso que o interessante mesmo é a parceria entre os profissionais. O bom psicólogo encaminha para o bom psiquiatra e o bom psiquiatra encaminha para o bom psicólogo. Pense nisso e, estou a disposição. Conheça mais sobre o meu trabalho em http://www.afcebook.com.br/psicologalucianaortizraveli Um abraço, Psicóloga Luciana Ortiz Raveli

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