Você sofre de ansiedade social? Confira como lidar com esse problema

Você frequentemente: 

  • Fica nervoso(a) e já chegou a evitar comparecer a eventos sociais? 
  • Sente-se mal em ser o centro das atenções? 
  • Acredita que as outras pessoas estão te avaliando? 
  • Fica muito preocupado(a) só de pensar em falar para um público? 
  • Lembrar de eventos sociais futuros faz você ficar muito apreensivo(a)? 
  • Fica relembrando situações sociais passadas com sentimentos negativos? 
  • Teme que as pessoas percebam as reações físicas que você tem devido o nervosismo? 
  • Fica muito inibido(a) diante de pessoas que representam autoridade ou que você admira? 

E cada vez mais parece que sua ansiedade fica pior trazendo prejuízos no desempenho de atividades diárias? 

Se você se enxergou nas perguntas acima e percebe que isto está limitando ou até paralisando sua vida pessoal e/ou profissional, você pode estar sofrendo de Transtorno de Ansiedade Social, também conhecido como Fobia Social

Você não está sozinho(a)!

Saiba, contudo, que você não está sozinho(a)! Estudos apontam que esta é a terceira maior causa de sofrimento emocional no mundo, atingindo cerca de 7% da população (Kessleretal. 2005). No entanto, a timidez, característica deste quadro, faz com que as muitas pessoas não procurem tratamento, convivendo com os sintomas por muitos anos. 

A fobia social pode ser específica, por exemplo, relacionada apenas com uma situação, como o medo de falar em público. Já em muitos casos, a ansiedade social é generalizada, ou seja, sentimentos de inferioridade, medo, ansiedade antecipatória, sensação de estar sendo avaliado e a evitação da exposição, estão presentes na maior parte dos eventos em grupo (APA, 2014). 

Sintomas físicos típicos da ansiedade incluindo palpitações aceleradas, rubor facial, boca seca, tremores, voz trêmula, sudorese e confusão mental, são fortemente relatados por pessoas com fobia social. 

O tratamento

Felizmente, o Transtorno de Ansiedade Social tem tratamentos disponíveis com resultados muito satisfatórios. Diversos estudos comprovam que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é bastante efetiva (Hoffmann e Barlow, 2002; Hollon et al., 2006). 

Algumas pessoas, no entanto, podem necessitar fazer uso de medicações ansiolíticas e/ou antidepressivas em combinação com a psicoterapia. Vale ressaltar que o uso exclusivo de medicações não se mostra efetivo para a remissão duradoura dos sintomas, sendo as mudanças cognitivas promovidas em terapia a grande chave para melhor qualidade de vida a longo prazo. 

Como funciona a TCC? 

Este método terapêutico propõe-se a promover mudanças nos pensamentos e crenças, os quais são a origem de reações fisiológicas exageradas, sentimentos negativos e comportamentos disfuncionais. 

Pessoas com transtorno de ansiedade social costumam ter pensamentos pejorativos sobre si mesmas, sobre as demais pessoas, e sobre o mundo, carregados de palavras superlativas absolutas. São exemplos desses pensamentos: 

“Fazer uma apresentação é IMPOSSÍVEL, isto me causa muito estresse, eu não consigo”, “SEMPRE que falo, todos me avaliam mal” ou ainda “eu SEMPRE vou temer estar com pessoas desconhecidas, por isso evito situações novas”, “eu NÃO POSSO fazer isso, SEMPRE deu errado”, etc. 

Neurocientistas afirmam que ao pensar desta maneira o cérebro compreende que você corre um sério risco, e por conseguinte reage promovendo reações fisiológicas de defesa e proteção frente ao perigo, os quais acionam uma forte tendência a fugir da situação, levando a um sentimento ainda pior. 

Sendo assim, na TCC, busca-se encontrar os pensamentos negativos automáticos que são gatilhos para reações fisiológicas, sentimentos ruins, e comportamentos disfuncionais, tais como: deixar de realizar uma apresentação importante no trabalho ou na escola, não comparecer a uma entrevista de emprego, evitar um encontro romântico, etc.

A técnica consiste em substituir (sem pressão) progressivamente pensamentos negativos habituais por afirmações neutras e gradualmente por ideias positivas. Em terapia, algumas atividades são realizadas pela díade terapeuta-paciente, para engajamento e manutenção do processo de mudança. 

O importante é que ao fazê-lo, não se imponha pensamentos “superpositivos” que pareçam inalcançáveis e mágicos, o que tende a desmotivar o paciente. É preciso inicialmente incluir palavras que abram a possibilidade de outros comportamentos, neutralizando os pensamentos automáticos. Seguem exemplos: 

“Eu posso tentar fazer uma apresentação, apesar de isso me gerar grande estresse, pode ser que eu consiga”, ou “TALVEZ eu consiga falar e não ter apenas avaliações negativas”, “eu temo estar com pessoas desconhecidas, mas se eu continuar expondo-me a estas situações, é possível que eu me acostume e futuramente não tenha mais medo”, “apesar de não ter saído como eu imaginava, se eu fizer de novo, há possibilidade de dar certo”. 

Assim, a pessoa informa ao cérebro que há perigo, mas que existe a possibilidade de enfrentar e, consequentemente, as reações fisiológicas serão menos intensas, encorajando o paciente a vivenciar as situações sociais com menor tensão. Esta técnica chama-se reestruturação cognitiva, e apresenta excelentes resultados para fobias sociais conforme nos mostra ampla literatura (Herbert et al., 2009; Goldin et al., 2013; Miller et al., 2015). 

Os resultados

Enquanto terapeuta, percebo que a maior parte dos pacientes fica surpreendida com as mudanças que ocorrem com seus pensamentos e comportamentos. O importante é praticar as técnicas terapêuticas de forma persistente, determinada e com autocompaixão frente às tentativas fracassadas que também fazem parte de processos de mudança. 

Além da reestruturação cognitiva, em TCC também são efetivas a técnica de exposição, que se incentiva o paciente a realizar atividades temidas de forma acompanhada, estabelecendo uma hierarquia gradual de riscos (iniciando do menos temido até o mais temido) e o treinamento de habilidade sociais, na qual são treinados comportamentos para melhorar o desempenho social (Goldin et al., 2013). 

Vale mencionar ainda que práticas complementares como meditação, mindfulness (atenção plena), técnicas de relaxamento via respiração profunda, atividades físicas aeróbicas, e a restrição de alimentos com cafeína e outros estimulantes, efetivamente reduzem a intensidade dos sintomas. 

Então, assim como milhares de pessoas, você pode obter resultados muito positivos atingindo principalmente as desistências, as oportunidades perdidas e a tendência ao isolamento que tanto geram sofrimento. Procure um profissional, tire suas dúvidas e você irá se sentir mais positivo e confiante. 

Lembre-se que você só não consegue enfrentar seus medos se você desistir de tentar! Invista em você e transforme sua vida. 

Referências: 

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). 2014. DSM-5. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5a ed., Porto Alegre, Artmed, 948 p. 

GOLDIN, P.R., ZIV, M., JAZAIERI, H., HAHN K., HEIMBERG, R. 2013. Impact of Cognitive- Behavioral Therapy for Social Anxiety Disorder on the Neural Dynamics of Cognitive Reappraisal of Negative Self-beliefs, JAMA Psychiatry, 2013;70(10):1048-1056. 

HERBERT, J. D., GAUDIANO, B. A., RHEINGOLD, A. A., MOITRA, E., MYERS, V. H., DALRYMPLE, K. L., ET AL. 2009. Cognitive Behavior Therapy For Generalized Social Anxiety Disorder In Adolescents: A Randomized Controlled Trial. Journal of Anxiety Disorders, 23(2), 167-177 

HOFFMANN, S.G.; BARLOW, D.H. 2002. Social phobia (social anxiety disorder). In: D.H. BARLOW (ed.), Anxiety and its disorders: the nature and treatment of anxiety and panic. New York, Guilford Press, p. 454-476. 

HOLLON, S.D.; STEWART, M.O.; STRUNK, D. 2006. Enduring effects for cognitive behavior therapy in the treatment of depression and anxiety. Annual Review of Psychology, 57:285-315. http://dx.doi.org/10.1146/annurev.psych.57.102904.190044 

KESSLER RC, CHIU WT, DEMLER O, WALTERS EE.2005. Prevalence, severity, and comorbidity of twelve-month DSM-IV disorders in the National Comorbidity Survey Replication (NCS-R). Archives of General Psychiatry, Jun;62(6):617-27. 

MULLER, J.; TRENTINI, C.; ZANINI, A. e LOPES, FM. Transtorno de Ansiedade Social: um estudo de caso.Contextos Clínic [online]. 2015, vol.8, n.1 [citado 2019- 07-10], pp. 67-78 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983- 34822015000100008&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1983- 3482. http://dx.doi.org/10.4013/ctc.2015.81.07

Autora: 

Tatiana de Carvalho De Nardi- CRP 07/13131 Psicóloga Clínica | Especialista em Terapias Cognitivas Mestre e Doutora em Cognição Humana Whatsapp: 51999710404 Insta:@psic_Tatiana https://www.psicologiaviva.com.br/psicologos/tatianadenardi 

Tatiana de Carvalho De Nardi

Olá! Seja bem-vindo(a) ao meu perfil! Sou psicóloga formada pela UFRGS com experiência clínica de 15 anos em consultório particular, em clínica privada e em ambulatório de saúde pública. Sou Especialista em Psicoterapia Cognitiva, Mestre e doutora em Cognição Humana. Meu foco de trabalho são adolescentes, adultos e idosos que buscam melhor qualidade de vida por meio da psicoterapia cognitiva. Trabalho de forma dinâmica e ativa, buscando construir com o paciente uma perspectiva mais positiva para sua vida no momento atual. A Psicoterapia Cognitiva considera que seus pensamentos irão influenciar seus sentimentos e comportamentos, daí que algumas crenças negativas podem levar a sentimentos ruins e comportamentos disfuncionais, ou seja, que paralisam e/ou geram sintomas que atrapalham sua vida. Tenho experiência com pacientes com depressão, ansiedade, transtorno de pânico, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno bipolar e transtorno de personalidade borderline. Realizo ainda avaliação psicológica e neuropsicológica em idosos. No atendimento online, estou disponível em diversos horários e apesar de a internet não ser um recurso totalmente sigiloso, sempre realizo meus atendimentos em ambiente individual, com fones de ouvido e em computador e rede wi fi particular, tudo visando o máximo sigilo e segurança das informações que os pacientes compartilham.
Tatiana de Carvalho De Nardi

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