Menino segurando uma bola e gritando

3 dicas para lidar com comportamentos infantis difíceis

Quando começamos uma orientação de pais ou um atendimento psicoterápico com crianças, um dos primeiros pontos que costumo abordar com os pais, e/ou cuidadores da criança, é o seguinte:  existe uma linguagem única em casa para essa criança?

O que quero dizer com isso? É comum pais divergirem sobre a forma como educam a criança, tanto num aspecto mais amplo do que significa educação quanto em aspectos mais simples que envolvem a rotina do dia a dia.

Por exemplo, a mãe acha que o filho deve sentar-se à mesa e fazer as refeições sem assistir televisão. O pai considera que não tem nada demais. Quando a criança está só com a mãe em casa, ela obedece. Contudo, na presença do pai ela pede para assistir televisão enquanto come. O pai então fala para a mãe que não tem nada demais, que pode deixar. Começam a discordar um do outro na frente da criança. A mãe acaba cedendo.

Outro exemplo: o pai acha que a criança não deveria assistir tv ou ficar no celular/ tablet antes de dormir. A mãe acha que não tem nada demais. Então, mais uma vez a criança fica tentando usar dessas brechas para ela fazer o que quer. Pai e mãe não entram em acordo. E vez por outra estamos diante de um conflito, de um comportamento difícil porque a mãe agiu de uma forma com a criança e o pai de outra.

Isso quer dizer que o casal, os pais, não falam a mesma linguagem para criança. Eles lidam com os mesmos comportamentos infantis de formas diferentes um do outro. Um oferece uma consequência e o outro tira, para um existe uma regra que para o outro não precisa ser cumprida.

Mas, isso parece tão pequeno. Isso tem tanta importância mesmo para o comportamento do meu filho? Sim. Tem e muita.

Ninguém nos ensina a sermos pais. Não existe curso para isso. Vamos fazendo conforme nossas experiencias como filhos repercutiram em nós, conforme lemos e no que acreditamos.

Hoje é verdade temos muito acesso a artigos e livros de qualidade que falam sobre o desenvolvimento infantil. Entretanto, costumamos ir vivendo e aprendendo, mas não paramos para refletir antes, nem mesmo se o artigo ou livro que lemos é pertinente a nossa realidade, faz sentido para nós ou nossa família.

Seria muito bom antes de sermos pais pensarmos sobre tudo isso e principalmente nos conhecermos. Não costumamos nos autoconhecer o suficiente, por isso nossas experiencias na infância acabam influenciando negativamente em nossas atitudes como pais.

Dito isso, as minhas sugestões para pais e cuidadores são:

Pratiquem o autoconhecimento

Reflitam sobre a rotina de vocês, seus valores, seus desejos para si como casal e para criança: Como querem educá-la? O que faz sentido realmente para a família de vocês? O que a família tem condições emocionais, físicas, financeiras de fazer para conduzir a educação da criança? Assim, vocês tomarão decisões que funcionarão, farão mais sentido para vocês e terão maior segurança nelas.

Quando não nos conhecemos o suficiente ou não refletimos sobre nós e nossa família acabamos, algumas vezes, tomando decisões para agradar mais aos outros do que a nós mesmos, ou simplesmente porque que todos estão fazendo, ou deu certo para a família de outra pessoa. Cada família é única e você precisa conhecer melhor do que ninguém a sua.

Sentem para conversar sobre como desejam educar a criança de vocês.

O que vocês acham importante para a formação dela? Como vocês consideram mais adequado que seja a rotina dela? Quais as regras que ela deverá obedecer? Quais podem ser negociadas? Façam isso, por exemplo, ao estabelecer uma rotina para criança de vocês. Podem discutir, argumentar um com o outro, mas não questionem a autoridade um  do outro na frente da criança.

Quando vocês questionam uma decisão em relação a criança na frente dela. Vocês tiram a autoridade do seu companheiro ou companheira diante da criança.

A criança precisa reconhecer os pais como autoridades, para que possa se sentir segura e ter uma relação de confiança com os pais. O que é fundamental para um bom desenvolvimento emocional.

Criem em acordo uma rotina para criança

É muito importante a criança ter uma rotina a ser seguida. Não precisa ser sempre inflexível. É interessante abrir exceções em momentos específicos e com o consentimento do pai e da mãe. Para que a criança reconheça uma exceção, antes, ela precisa saber o que é uma regra.

Quando uma mãe segue uma rotina com a criança, mas frequentemente o pai, avó ou avô, tira essa criança da rotina, isso dificulta que a criança assimile as regras e as consequência de seu comportamento. Então, combine com quem cuida da criança frequentemente as regras e as rotinas da educação do seu filho e sigam todos as mesmas regras e as mesmas consequências para determinado comportamento. Acordem se irão colocar a criança de castigo, por exemplo, ou se não se utilizarão do castigo na correção dos comportamentos dela.

A criança precisa viver uma mesma rotina e uma mesma linguagem na educação para que possa assimilar mais facilmente a realidade e se adaptar a ela. Caso contrário ela usará de brechas para tentar fazer o que ela quer, que muitas vezes pode não ser o melhor para ela. Enquanto crianças, seres em formação, quem sabe o que é melhor para a criança são os pais.

Tudo isso que aqui foi exposto traz maior segurança para a criança e senso de regularidade, o que é a base para minimizar os conflitos e os comportamentos difíceis que a criança possa apresentar.

 

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VANESSA NASCIMENTO SILVA

De forma ética, segura e com qualidade através dos atendimentos online é possível promover a saúde emocional de pessoas que devido a diversas questões da vida moderna não se enquadram no atendimento em consultório físico tradicional. Com o propósito de levar saúde emocional para as pessoas, independente da distância física, estou na plataforma do psicologia viva desde 2016. Comecei a estudar atendimentos online em 2013 quando senti na pele a necessidade de ser atendida online, durante uma gestação de risco que vivi. Sou psicóloga há 13 anos. Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (2013). Professora da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) na área de avaliação psicológica.
Atuo com a perspectiva teórica da análise do comportamento e uso da Psicoterapia Breve Focal em meus atendimentos, meu objetivo é facilitar o processo dos pacientes em tornarem-se seres humanos melhores e com isso mais felizes consigo e com os outros.Facebook e Instagram: @tornarsemelhor.
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VANESSA NASCIMENTO SILVA

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