Nomofobia e Dependência Digital

Pessoa se alimentando e no celular. Demonstração de nomofobia e dependência digital

Há vários tipos de fobias específicas como, por exemplo, a Fobia Social, a Aracnofobia (medo de aranha), a Acrofobia (medo de altura) e a Claustrofobia (lugares fechados). A Nomofobia é o medo irracional de estar sem celular. Seu nome deriva do inglês No Mobile-Phone Phobia – Nomophobia.

Esta fobia está relacionada ao vício/adicção ao uso do celular e outras tecnologias como computadores, tablets e videogames. Ou seja, quanto maior a Dependência Digital, maior a fobia.

Sendo assim, considerando que a OMS define a adicção como doença, a Dependência Digital e a Nomofobia são doenças relativamente recentes, que surgiram pelas mudanças e avanços tecnológicos da/na sociedade.

Como enfrentar a Nomofobia

Um estudo feito na Universidade Técnica de Ambato – Equador, concluiu que a nomofobia afeta significantemente o processo de ensino-aprendizagem da população pesquisada. O trabalho concluiu que os estudantes sentem ansiedade e medo quando não estão com seus celulares e observam frequentemente seus aparelhos durante a aula, ansiosos por mensagens.

No fim do estudo são sugeridas ações para lidar com esse problema, das quais colocarei algumas no fim desse texto, mas quem quiser ver o estudo na íntegra, clique aqui.

Outro estudo, também na cidade de Ambato, constatou a incidência da Nomofobia nas relações socioafetivas de jovens entre 17 e 21 anos, concluindo que a maior porcentagem desses jovens consideram o celular uma necessidade básica para se relacionarem, deixando de lado as relações pessoais. Constatou também que o apego ao celular chega a ser maior do que o apego pelos familiares, tornando assim mais comuns os problemas com a família e de comunicação, já que os pais passam muito tempo trabalhando enquanto os filhos ficam sós dedicando o tempo à tecnologia e não ao estudo.

Ambos os trabalhos sugerem ações de enfrentamento a essa dependência. A segunda pesquisa, citada acima, pode ser conferida na íntegra aqui.

Benefícios do uso de celular

Em contrapartida, um estudo do curso de Especialização em Fundamentos da Educação da Universidade Estadual da Paraíba, constatou que o uso pedagógico do celular pode ser uma ferramenta a mais no processo de ensino-aprendizagem. Destacam que a escola deve acompanhar as mudanças da sociedade e desenvolver práticas que estejam de acordo com essas mudanças. Eles também discutiram os malefícios do uso indevido do celular, mas de forma diferente. Em vez de um discurso taxativo, incentivaram os próprios alunos a pesquisarem sobre a nomofobia utilizando a internet de seus próprios celulares. Constataram que os alunos puderam argumentar com propriedade essa questão, concluindo assim que o uso do celular para esse fim foi eficaz.

 

Existe, então, uma diferença entre quantidade e qualidade do uso desses aparelhos, afinal, um web designer ou programador utiliza muito mais o computador do que um médico no consultório.

Hoje em dia não é raro vermos reportagens sobre este tema. Casos de internações (junto com dependentes químicos) e até mesmo mortes ocasionadas pela Dependência Digital. Drogas usadas para concentração no videogame (metanfetaminas) etc.

Apesar de ser um assunto relativamente novo, comparando com a Dependência Química podemos encontrar conceitos já conhecidos há mais tempo. Seria a Nomofobia um tipo de abstinência?

Leia também sobre alguns sinais de que você pode estar entrando em depressão e o que fazer para evitá-los!

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Referências

MARINA, Vásconez Villavicencio Amparo. La nomofobia y su incidencia en el proceso enseñanza- aprendizaje de los estudiantes de séptimo y octavo semestre modalidad semipresencial, de la carrera de educación básica, facultad de ciencias humanas y de la educación, universidad técnica de ambato. 2013. Obtenção de Titulação – Faculdade de Ciências Humanas e da Educação, Universidade Técnica de Ambato. Disponível em <http://repositorio.uta.edu.ec/handle/123456789/5060?mode=full> Acesso em: 03 ago 2015.

RAMOS, Vera Lucia Flores. La monofobia y su incidencia em las relaciones socio-afectivas en los jòvenes de 17 a 21 años de la fundaciòn iberoamericana de desarrollo social (FIDS) de la ciudad de Ambato. 2013. 159 f.. Dissertação (Mestrado em Ciências da Educação) -Faculdade de Ciências Humanas e da Educação, Universidade Técnica de Ambato. Disponível em <http://repositorio.uta.edu.ec/handle/123456789/6173?mode=full> Acesso em: 03 ago 2015.

 SILVA, Geane Araújo da. O uso do celular na escola: um relato de experiência sob o foco de seus problemas e suas potencialidades. 2014. 41 f.. Dissertação (Especialização em Fundamentos da Educação: práticas pedagógicas interdisciplinares) -Universidade Estadual da Paraíba. Disponível em <http://dspace.bc.uepb.edu.br:8080/xmlui/handle/123456789/5612> Acesso em: 03 ago 2015.

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Fernando Parede

Fernando Parede

Sou psicólogo clínico experiente em Psicologia Clínica desde 2008. Atendo em consultório particular e, voluntariamente, no grupo supervisionado do I PqHC-FMUSP (Inst. de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da USP) nas modalidades de psicoterapia individual e familiar.
Experiência em Orientação Vocacional e Psicoterapia Breve com especializações ao longo da carreira.
Sou pós-graduado em Psicoterapia Breve Psicodinâmica pelo IPPESP (Inst. Paulista de Psicologia, Estudos Sociais e Pesquisa) e fiz minha formação como psicólogo escolar pela USJT (Univers. São Judas Tadeu), com ênfase em Orientação Vocacional pelo CEAP (Centro de Estudos Avançados de Psicologia).
Minha abordagem terapêutica é psicodinâmica, que me permite avaliar o paciente de forma completa levando em consideração seus aspectos conscientes e inconscientes, com foco atual, avaliando as áreas afetivas, de relacionamento, de produção e trabalho, da saúde em geral, orgânica, sociocultural, entre outras.
Fernando Parede

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Sou psicólogo clínico experiente em Psicologia Clínica desde 2008. Atendo em consultório particular e, voluntariamente, no grupo supervisionado do I PqHC-FMUSP (Inst. de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da USP) nas modalidades de psicoterapia individual e familiar. Experiência em Orientação Vocacional e Psicoterapia Breve com especializações ao longo da carreira. Sou pós-graduado em Psicoterapia Breve Psicodinâmica pelo IPPESP (Inst. Paulista de Psicologia, Estudos Sociais e Pesquisa) e fiz minha formação como psicólogo escolar pela USJT (Univers. São Judas Tadeu), com ênfase em Orientação Vocacional pelo CEAP (Centro de Estudos Avançados de Psicologia). Minha abordagem terapêutica é psicodinâmica, que me permite avaliar o paciente de forma completa levando em consideração seus aspectos conscientes e inconscientes, com foco atual, avaliando as áreas afetivas, de relacionamento, de produção e trabalho, da saúde em geral, orgânica, sociocultural, entre outras.

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