Filhos adotivos. Contar ou não contar?

Atendendo por convênio, pelo SUS ou de maneira particular em consultório, acompanhei vários casos de pais que têm muita insegurança quanto à questão de: “Contar ou não contar que meu filho é adotivo?”

Vi pais sendo pressionados a contar para os filhos a respeito da adoção. Já vi pais pressionados a não contar. Vi pais que contaram sem querer contar e, também, vi pais que não contaram porque outras pessoas não queriam que contassem. Claro que também vi pais que contaram por decisão própria e vi pais que não contaram porque não queriam contar mesmo. Enfim… já vi pais e pais e pais… Com quais vocês se identificaram?

Essa decisão é muito importante e delicada para as famílias, uma vez que envolve toda a história de vida da pessoa que é adotada, como também, a história de vida da família adotante.

Não por acaso, os pais procuram pelo psicólogo na esperança de que esse profissional conte “a verdade” para o filho, uma vez que não conseguem conversar a respeito da adoção ou têm medo da reação do filho quando souber que é “filho do coração” e não “filho da barriga”. Outras vezes, o psicólogo é procurado porque o filho sabe que é adotivo, mas há a insegurança dos pais com relação ao vínculo que se formou entre a família.

Em ambas as situações, o psicólogo é responsável apenas por fortalecer os vínculos já existentes entre os membros que constituem aquela família para que, a verdade daquela família seja vivida de maneira saudável e harmoniosa, sem influenciar ou decidir pelo contar ou não contar sobre ser ou não ser filho adotivo.

É importante ressaltar neste texto que, essa decisão é exclusiva dos pais adotivos e de mais ninguém. O psicólogo vai auxiliá-los nesse momento para que seja tomada a melhor decisão para os pais e, a partir da decisão dos pais, o profissional vai trabalhar com pessoa que foi adotada.

O fato de não contar a respeito da adoção, não quer dizer que não haja amor, carinho e vínculos fortalecidos. Neste caso, a família e todos os envolvidos com a família adotante (avós, irmãos, tios, primos, vizinhos, professores, profissionais envolvidos com a família, entre outros) precisam respeitar a decisão dos pais e acolhê-los.

Portanto, em todo o processo de adoção, é necessário que os pais já comecem a pensar e a conversar sobre essa questão: “Contar ou não contar?” para que, quando chegar o tão esperado momento de receber o filho nos braços, todos já saibam e já tenham bem esclarecidas as verdades daqueles pais.

Boa convivência a todos e, para quem quer adotar, bons diálogos e boas conversar familiares. Leia também o nosso post sobre carência afetiva.

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Luciana de Oliveira Castro Ortiz Raveli

Luciana de Oliveira Castro Ortiz Raveli

Atuo clinicamente desde 2010 com formação em Avaliação Neuropsicológica para crianças e adolescentes até 16 anos. Graduada pela Universidade Metodista de Piracicaba e Pós-graduanda em Neuropsicologia pela UNIARA. Experiência de 4 anos com pacientes terminais e grupos de apoio a familiares e pessoas com câncer. Atuei no Ambulatório de Saúde Mental de Porto Feliz - SP como Psicóloga Infantil através de grupos e orientação a pais/responsáveis. Também fui membro do Programa de Planejamento Familiar deste município em 2015. Atualmente sou Psicóloga na APAE - Porto Feliz atendendo crianças, adultos e famílias portadores de necessidades especiais.
Luciana de Oliveira Castro Ortiz Raveli

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Luciana de Oliveira Castro Ortiz Raveli

Atuo clinicamente desde 2010 com formação em Avaliação Neuropsicológica para crianças e adolescentes até 16 anos. Graduada pela Universidade Metodista de Piracicaba e Pós-graduanda em Neuropsicologia pela UNIARA. Experiência de 4 anos com pacientes terminais e grupos de apoio a familiares e pessoas com câncer. Atuei no Ambulatório de Saúde Mental de Porto Feliz - SP como Psicóloga Infantil através de grupos e orientação a pais/responsáveis. Também fui membro do Programa de Planejamento Familiar deste município em 2015. Atualmente sou Psicóloga na APAE - Porto Feliz atendendo crianças, adultos e famílias portadores de necessidades especiais.

3 thoughts on “Filhos adotivos. Contar ou não contar?

  1. Sou psicóloga e atendi casos de adoção em uma extensão durante uns dois anos e realmente contar sempre acaba sendo a melhor opção, até para não existir o segredo familiar e a criança acabar crescendo em um ambiente em que sempre vai haver algum tipo de tensão. Acho muito interessante usar técnicas como assistir com a crianças filmes de adoção, falar bastante nos termos filhos de coração, e fazer um livro de histórias infantis que conta a história dele(a) desde bebê e como os pais chegaram até eles. Adoção acaba ainda sendo um tabu para muitas pessoas, mas é algo lindo e maravilhoso ♥ e é super importante como psicólogos auxiliarmos esses pais pra que tenham uma adaptação tranquila e sincera com as crianças e adolescentes.

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