Morte e luto: vamos falar sobre isso?

Talvez você esteja passando por algum processo de luto, ou já tenha sofrido em algum momento da vida com a perda de alguém, ou quem sabe você seja uma daquelas pessoas que preferem nem tocar no assunto, pois teme que um dia isso aconteça com você e por medo de não saber lidar com o assunto acaba deixando de lado. Talvez por termos esse tabu não sabemos como lidar quando a morte chega, ficamos perdidos, perplexos, sem saber o que fazer.

Falar de morte não é algo comum. Costumamos pensar na vida somente como planos, sonhos, conquistas, perspectivas, chegadas, etc., e anulamos o fato da finitude, da partida, das perdas do fim, ou seja, da morte que também é parte do ciclo da vida.

É importante ressaltar que falar no assunto é fundamental para entendermos e sabermos como lidar de forma mais ajustada quando este chegar.

Entendendo o significado

Então para entender mais sobre esse processo é preciso definir bem o que significa a palavra luto. Luto vem do Latim “lucto” e significa um sentimento profundo de tristeza e pesar pela morte de alguém.

Para a psicologia o luto está ligado aos processos que envolvem perdas em diversos contextos e podem ser muito mais abrangentes, porém vamos focar na definição geral da palavra relacionada à morte.

Em nossa cultura ninguém é preparado para vivenciar os processos de perda, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde estaremos diante desta situação. O certo é que luto, morte e perda é assunto que pouco se fala. 

Desde cedo aprendemos que os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se e morrem. Não necessariamente tudo ocorre nessa ordem. O certo é que ao nascer uma vida a certeza que se tem é que esta se findará.

Muito embora todos saibam deste fato, ninguém busca informações que o ajudem a entender o processo de luto, para saberem lidar de forma adequada com esse momento de dor, sem grandes prejuízos. 

Quando pensamos na vida o que vem à mente é sempre as alegrias, as conquistas, os projetos, estudos, trabalhos, vitórias, felicidade,  etc… e esquecemos que nem tudo são flores, aliás que as flores também podem ter espinhos e estes podem machucar, deixar marcas de feridas cujas cicatrizes sempre vão estar ali. Talvez por isso tenhamos tanta dificuldade quando em fim a dor da perda vem nos afligir.

O que fazer quando a morte leva aqueles a quem amamos?

Não existe fórmula mágica para dizer exatamente como vamos passar por esse momento de maneira mais adaptativa, não há como prevê as reações se vamos chorar, desesperar, sentir raiva, remorso, culpa, etc. porque tudo depende da forma como ocorreu a situação. 

Cada um vivencia o luto de acordo com sua personalidade, com suas percepções, resiliência, estratégias de enfrentamento, e de acordo com o significado que se atribui a pessoa que se foi, isso é individual, é único para cada pessoa.

Mas através de estudos sabe-se que existem algumas atitudes importantes a ponderar em relação ao luto:

  1. Aceite o fato de que toda vida tem um fim. É parte da jornada de cada um, e isso vai chegar independente de idade, condição social, atributos físicos, ou qualquer outra característica.
  2. Vivencie o processo de luto. Não existe essa conversa de dizer que você é forte e pode passar por cima dos seus sentimentos de tristeza, ou que tem o poder para reprimir a tristeza. Quando as pessoas escolhem não vivenciar o processo de luto, podem estar trazendo para si adoecimento como consequência das emoções reprimidas que tanto poderão se manifestar no corpo quanto na mente.
  3. Busque estratégias para enfrentamento. É preciso buscar estratégias para enfrentar melhor esse momento, elaborar a perda é muito importante. Como isso é possível? Busque apoio (familiar, de amigos, de um profissional), não sofra sozinho, não se isole, muitos se apegam à fé, procure pensar nas coisas boas vividas com a pessoa que se foi.
  4. Não foque no fato em si. Tente não se culpar ou viver em busca dos culpados para o fato. Normalmente, no momento da morte as pessoas sempre questionam e ficam presas a pensamentos sobre os porquês e os se’s : “por que o fulano?” , “e se eu tivesse feito diferente?”, “e se não tivesse deixado meu filho sair”, “e se eu tivesse feito diferente, talvez ainda pudesse estar com ele(a)”, “se não tivesse internado no hospital x”… Esses pensamentos nunca têm fim e quando ocupam a mente constantemente podem gerar uma angústia interminável, porque ao carregar uma culpa que não é sua a mente passa a processar uma série de pensamentos e como consequência podem desencadear algum transtorno mental (como depressão, ou algum tipo de transtorno de ansiedade). Lembre-se os se’s e os porquês são infinitos, é preciso combatê-los.

    Traçando um paralelo entre o início e o fim da vida, podemos chegar a seguinte conclusão: assim como quando uma pessoa nasce nos adaptamos a esse novo ser que será somado e integrado a nossa existência, não sabemos o que esperar, como agir e assim vamos aprendendo a conta de mais um, com a  morte também passamos por um novo processo de readaptação, quando ela chega precisamos aprender a subtrair e viver com esta conta de um menos. 

E ao contrário do nascer que não temos a mínima noção do que virá o morrer nos traz oportunidades de refletirmos, melhorarmos, reinventarmos, e de trazer a memória as boas recordações, lições de tudo o que vivemos com aquela pessoa que partiu.

Saber aceitar e conviver com a morte também faz parte do processo de amadurecimento que mais cedo ou mais tarde cada um precisará enfrentar.

A morte causa uma dor irreparável, é como se fosse uma ferida profunda que se abre no peito e leva um tempo para cicatrizar, e este tempo varia de pessoa para pessoa, das estratégias de enfrentamento, da resiliência, do modo como encara o fato, etc., a certeza que se tem diante desse ferimento é que ele cicatriza, e essa cicatriz sempre vai trazer a lembrança que alguém especial esteve ali. 

O processo de luto é inevitável, porque faz parte da vida, a saudade pela perda vai sempre existir, mas cada um precisa buscar se reorganizar e manter um bom ajustamento para se readaptar à nova situação e continuar a sua vida.

Regiane Bezerra Simões Cruz

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Regiane Bezerra Simões Cruz

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