Afinal, nós sabemos mesmo o que significa autoestima?

Muito mais que autoestima

A autoestima é um dos assuntos mais falados atualmente e infelizmente também um dos assuntos mais tratados com pouca profundidade. 

E não é à toa que grande parte das vezes associamos essa palavra ao amor relacionado com nosso corpo, estética e até mesmo autoconfiança. Mas vai muito além disso. 

A própria palavra tem muito a ensinar-nos: auto (relacionado à si mesmo, qualquer palavra seguida dela faz referência a quem a diz) e estima (verbo que significa o ato de gostar/cuidar/desejar). Ou seja, o ato de desejar ou gostar de si mesmo.

Somente através do significado da própria palavra conseguimos entender que a extensão é muito maior do que comumente encontramos. A palavra autoestima tem em si um significado muito amplo e importante, porque vai além de um conceito, na verdade ela é uma prática e pode se manifestar de maneira positiva ou negativa. 

Por isso muitas vezes escutamos os termos “baixa autoestima” e “alta autoestima”.

Trabalhar com a Psicologia me dá uma noção mais apurada da realidade desse termo, mas pouco perceptível na vida cotidiana. E isso fica ainda mais claro quando escutamos o relato de algumas pessoas que associam a autoestima com algum resultado positivo. 

Por exemplo quando se perde peso e se associa a autoestima com a nova forma corporal. Na verdade, a autoestima não é um resultado obtido e sim o processo pelo qual a pessoa passa. Quando tomamos decisões que dizem respeito ao cuidado consigo mesmo, estamos praticando a autoestima. 

E perceber as ações desse processo é importantíssimo para se conseguir manter os sentimentos positivos e benéficos. 

Por isso devemos entender o processo, saber identificar quais práticas foram positivas e quais foram negativas, quais sentimentos passaram a existir, e principalmente, ter a capacidade de nomear tudo isso. 

Por isso, a autoestima não pode ser considerada um estágio final acumulativo, onde cada conquista aumenta pontos positivos, e sim um caminho que agrega sentido à vida de cada um. Por isso, muitas dessas práticas são conhecidas como decisões de auto amor, que são capazes de aumentar a nossa percepção amorosa e cuidadosa a respeito de nós mesmos.

A construção da autoestima

Mas assim como a autoestima sofre distorções em seus significados, a maioria de nós também se sente desafiado ao se deparar com a necessidade de nomeação de alguns sentimentos. Entender a construção da autoestima passa pela nomeação dos sentimentos e sensações ao longo desse caminho. 

E eu utilizo aqui o termo construção propositalmente, podendo-se comparar à construção de uma casa, que passa por etapas importantes e insubstituíveis, desde a fundação até o acabamento. 

E que, muitas vezes sofre mudanças de rota ao longo do tempo. Construir o auto amor não é uma tarefa linear e premeditada. 

Autoestima e autoconhecimento

Sabendo da necessária construção da autoestima devemos então enxergar a fundação da nossa casa como o autoconhecimento necessário para um início sólido. 

Exercer o autoconhecimento deve ser uma prática cotidiana, que pode estar presente nas mais corriqueiras atividades, mas que podem nos dizer muito sobre nós. Estar aberto a identificar nossas afinidades, nossos desgostos, necessidades, desejos, medos, sonhos, esperanças, é estar disposto a começar a traçar o caminho para se cuidar com amor.

Podemos também pensar na autoestima como o caminho necessário para se atingir algum objetivo. Através do conhecimento de nós mesmos temos a possibilidade de escolha

E não existe nada mais individual e potente que nossas escolhas, através delas nos expressamos, nos empoderamos, e a partir disso, criamos. Tendo em mãos a chance de criar por meio de nossas escolhas o nosso caminho, fica muito mais fácil lidar com o amor próprio. 

Claro que, muitas vezes ainda não temos maturidade e conhecimento próprio necessários para se reconhecer os ganhos desse caminho e acabamos atrelando a autoestima ao objetivo alcançado. 

E tudo bem! Se essa é a consciência que se consegue ter no momento, até mesmo se orgulhar e se desfrutar de uma conquista solo é uma prática de autocuidado. Nem todas as partes do caminho ao longo da vida nos provocam orgulho ou nos mostram o nosso máximo, mas todas elas são essenciais para a construção do todo. 

Por isso retomo a importância de nomeação dos processos e de reconhecimento deles. 

É natural que em certos períodos tenhamos mais dificuldade em exercer um olhar amoroso a respeito de nós mesmos. E muito disso é refletido em nossas relações, já que por meio delas também temos a oportunidade de nos reconhecermos. Através do estabelecimento de vínculos saudáveis podemos nos afirmar em nossas potencialidades e fragilidades, e o outro nas relações tem o papel único de acolher ou não isso. 

Mesmo que em momentos de pouco olhar para si mesmo, as relações têm o poder de relembrar o nosso papel no mundo.

Temos a tendência a dar prioridade para grandes feitos, ou para ações que nos indiquem o externo, o mundo macro. E se seguirmos essa tendência realmente teremos grandes desafios a vencer. 

O que é importante para nós?

Se basearmos nossa autoestima em padrões externos a nós, ou a expectativas sociais e culturais, iremos na contramão de nós mesmos. Construindo uma forte corrente rumo ao desgosto de si. Mas será que temos consciência do que é importante para nós e do que é importante para a maioria? 

É fato que ao longo da vida partimos em um movimento de tomar para nós as verdades que estavam em nosso meio. E, portanto, passamos a repetir esses padrões e exigências de maneira interna e impiedosa. 

Praticar o autoconhecimento se torna a proteção necessária para que tomemos decisões de respeito e cuidado com nossa construção pessoal, nem sempre esperando ter necessariamente uma autoestima “alta” para se estar bem. Mas sim a consciência de que os passos para a construção dela estão em nossas mãos e por menor que seja a ação praticada em direção a ela devemos reconhecê-la. 

RENATA PARREIRA RODRIGUES

Psicologia Clínica e Organizacional. Realizo atendimentos de Psicoterapia voltadas para o autoconhecimento e sobretudo voltadas para maior qualidade de vida emocional e afetiva. Uso como norteadores teóricos modelos existenciais que me permitem ter uma visão mais humanizada do ser humano. Durante os 50 minutos de sessão será criado um espaço único de confiança e vínculo, ampliando a qualidade de vida de quem passa por esse processo. Tanto como Psicóloga Clínica como Psicóloga Organizacional aplico conhecimentos oriundos do Psicodrama e do Desenvolvimento Humano. Como Psicóloga organizacional, atuo na área há 4 anos, com experiência em diversos processos e soluções empresariais, atualmente contando com um projeto autoral onde implemento nas empresas a Orientação de Carreira voltada para colaboradores e suporte para equipe gestora. O autoconhecimento fortalece e engrandece.
RENATA PARREIRA RODRIGUES

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