PAIS SUPERPROTETORES, CRIANÇAS INSEGURAS

Há trinta anos, podíamos andar mais sossegados pelas ruas da nossa cidade, sem a preocupação existente que nos rodeia. Crianças iam à padaria, a casa de amigos, a vários lugares próximos de sua casa sozinhos. Os pais davam vários conselhos com o “Não fale com estranhos!” ou “Não aceite ‘nada’ de estranhos!”. E com estas pequenas aventuras, elas iam conquistando a independência e autonomia.

Os pais daquela época não eram negligentes. Temiam pela segurança de seus filhos e procuravam prepará-los para enfrentar perigos previsíveis. Também existiam casos de sequestros, de violência, porém não na quantidade atual. Não podemos negar que vivemos num mundo onde a violência é mais presente. O perigo é real e isto é indiscutível. Tememos um perigo real, tememos o bandido armado. E, com isso, as crianças são privadas de experiências sociais para que estejam protegidas, sob olhares cuidadosos de seus pais.

Até aí, nada de errado. Compete aos pais proteger, cuidar, dar atenção e amor aos seus filhos. Os problemas iniciam quando a proteção aos filhos extrapola os limites do cuidado e do superproteger. E isto ocorre quando os pais não permitem que as crianças façam as coisas sozinhas, e resolvem problemas dos seus filhos, poupando-os das consequências negativas de eventuais atos errados, como, por exemplo, a mãe não deixa sua filha de correr no parque ou interagir com seus amigos por medo de eventuais machucados.

A superproteção pode causar uma dificuldade para o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo das crianças, pois cuidadores excessivamente protetores fazem com que os pequenos sintam-se pouco estimulados a interagir com o mundo, pois ele é apresentado um lugar muito perigoso.

Crianças superprotegidas desenvolvem sentimentos do tipo: não posso, não consigo e não sei. E isso transmite a elas a mensagem de que são incapazes e irresponsáveis, dificultando a sua autonomia, a enfrentar situações novas, de tomar iniciativas ou decisões. Dessa forma, elas crescem inseguras e sem a capacidade de aprender a partir das consequências de suas atitudes, pois acreditam que sempre terá alguém que resolverá seus problemas.

Por esta razão, é importante os pais superarem a vontade de superproteger seus filhos, deixando-os a tomarem decisões gradativamente, não assumindo responsabilidades que são deles, não fazer tudo por eles, na intenção de protegê-los de qualquer sofrimento ou frustração, pois isto sempre existirá. As crianças necessitam de ter limites estabelecidos de forma clara e adequada. Só assim poderão crescer com capacidade de tomarem decisões que respeitem seus direitos e os direitos dos outros.

Leia também o nosso post sobre carência afetiva, como identificar e como lidar com esse problema.

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Cristina Palludetti

Cristina Palludetti

Atuo como psicóloga clínica em consultório particular na cidade de Rio Claro (SP). Sou especialista em psicologia analítica, arteterapia, psicopedagogia e coaching. Tenho formação em avaliação neuropsicológica em crianças e adolescentes e aprimoramento feito na Unesp para atender pacientes com Alzheimer. Trabalho com psicoterapia breve focal, sempre explorando o lado positivo e criativo do indivíduo, desenvolvendo as potencialidades da pessoa em busca de novos modos de encarar a vida.

fone - (19) 3023158; whats: (19) 995724133;
www.cristinapalludetti.com.br
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Atuo como psicóloga clínica em consultório particular na cidade de Rio Claro (SP). Sou especialista em psicologia analítica, arteterapia, psicopedagogia e coaching. Tenho formação em avaliação neuropsicológica em crianças e adolescentes e aprimoramento feito na Unesp para atender pacientes com Alzheimer. Trabalho com psicoterapia breve focal, sempre explorando o lado positivo e criativo do indivíduo, desenvolvendo as potencialidades da pessoa em busca de novos modos de encarar a vida. fone - (19) 3023158; whats: (19) 995724133; www.cristinapalludetti.com.br

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