Criança em uma sessão de psicoterapia infantil com psicóloga

Psicoterapia infantil: como funciona e quem deve fazer?

Durante a infância, as crianças se deparam com um universo novo, que deve ser explorado e descoberto. Neste período da vida, elas vivenciam transformações e experiências até então desconhecidas.

Alterações hormonais, mentais e corporais apresentam-se como uma novidade, além das situações externas, que exigem cada vez mais dos pequenos e também dos adolescentes.

Tirar notas boas na escola, praticar esportes, falar um segundo idioma e dominar a informática; a lista de afazeres e obrigações é grande, resultando em uma pressão desmedida e, às vezes, insuportável para as crianças.

Conseguir corresponder às expectativas dos pais, professores, colegas e familiares torna-se então um pesadelo para a garotada, que não consegue expressar os sentimentos e frustrações por palavras.

A psicoterapia infantil destina-se principalmente a crianças na faixa de três a onze anos de idade, aproximadamente, e pode ser aplicada individualmente ou em grupo, dependendo da abordagem adotada e do problema a ser tratado.

Os motivos que levam os pais a buscarem a terapia para seus filhos são bastante diversos, predominando dificuldades de aprendizagem e distúrbios comportamentais, especialmente agressividade e comportamento antissocial, ocorrendo igualmente em ambos os sexos.

Ao longo desse texto, vamos entender o que é psicoterapia infantil, como funciona o processo em psicoterapia, qual é o papel dos pais e os benefícios que ela traz.

É neste contexto que entra a psicoterapia infantil, que será detalhada no post de hoje. Confira!

O que é a psicoterapia infantil?

Vertente da psicologia, a psicoterapia infantil tem a finalidade de melhorar a qualidade de vida da criança, proporcionando uma infância feliz e saudável.

A psicoterapia ajuda a identificar os seus medos, receios e insatisfações, através de um trabalho com as dificuldades pessoais dos pequenos.

Pode ser definida como uma intervenção que visa atender problemas diversos, que causam estresse emocional, interferem no dia a dia da criança, dificultam o desenvolvimento das habilidades adaptativas e/ou ameaçam o bem-estar da criança e dos outros à sua volta.

Por isso a psicoterapia infantil também pode ser destinada aos pais ou responsáveis, que precisam de uma orientação de como agir e lidar com acontecimentos que envolvem as crianças.

O intuito permanece sendo o bem-estar familiar, a prevenção e solução de problemas.

O trabalho de psicoterapia com crianças possui várias abordagens, linhas teóricas de inspiração e diferentes técnicas utilizadas, o que produz peculiaridades e características próprias que o diferem do atendimento de adultos.

A técnica com crianças surgiu com Melaine Klein e Anna Freud, com abordagens diferentes e, na medida em que foi colocada em prática, foram surgindo outras formas de atendimento de crianças e ela foi sofrendo modificações, até chegarmos aos atendimentos de hoje. Veremos como funciona a psicoterapia em um dos tópicos abaixo.

Como é possível descobrir que a criança precisa de tratamento?

Muitos sintomas apresentados pela criança estão relacionados a questões de ordem social e/ou familiar. Situações de desavenças, segredos, atritos, discussões, competições, rejeições, etc., vividas direta ou indiretamente em seu ambiente, acarretam na criança sentimentos e comportamentos julgados como inadequados.

Nestes casos, a criança está como porta-voz de um sintoma mais amplo, e não como aquela que origina a situação. Somente uma avaliação minuciosa da história individual e familiar da criança permite avaliar a origem do sintoma e, assim, saber a quem deve recair o olhar terapêutico.

Dessa forma, existem quatro critérios para sabermos se a criança precisa de acompanhamento psicológico. Se há excesso ou déficit de alguns comportamentos, se há infração às normas, se está presente atraso ou defasagem desenvolvimental ou se existe um entrave ao funcionamento adaptativo.

No primeiro critério são considerados comportamentos que, ou por demasia ou insuficiência, fogem a um padrão “comum”.

No segundo critério, infração às normas, mesmo quando estas crianças e adolescentes já têm conhecimento destas normas, insistindo em violá-las.

A partir de uma perspectiva desenvolvimental, quando um comportamento atrasa ou causa algum problema ao desenvolvimento da criança, há o terceiro critério.

E, por fim, no quarto critério é levado em conta o funcionamento adaptativo deste comportamento para essa criança ou adolescente.

É difícil saber exatamente o que é um comportamento normal e um inadequado, devido às questões culturais e morais que estão presentes no âmbito em que a criança está inserida. Pode ser normal a criança ter um comportamento em casa e que é visto como um mau comportamento na escola.

Porém, se a criança estiver apresentando:

  • Agressividade;
  • Hostilidade;
  • Desânimo;
  • Problemas em se relacionar;
  • Birra;
  • Dificuldades para aprender;
  • Não consegue se posicionar e se defender;
  • Fica ansiosa demais;
  • Tem medo excessivo em deixar os pais, ou ao dormir ou ir à escola;
  • Fala muito sobre morte;
  • Conecta-se com personagens agressivos, que matam, que são vilões; não respeita regras, dita e muda regras dos jogos para benefício próprio;
  • Não se importa com os outros;
  • Comportamentos ligados à sexualidade, como apresentar fala e gestos sexuais;
  • Não consegue fazer uso da imaginação ao brincar;
  • Come muito ou come pouco demais;
  • Está abaixo ou acima do peso;
  • Não tem interesse em se arrumar e se produzir, como por exemplo arrumar o cabelo;
  • É desleixado com os materiais e brinquedos ou é organizado demais;
  • Dorme com a luz acesa;
  • Faz xixi na cama com frequência;
  • Adoece com frequência;
  • Falta de concentração.

São demonstrativos de que algo está errado. São sinais de que a criança precisa de ajuda especializada.

Como funciona a psicoterapia infantil?

Os pais percebendo os sintomas e comportamentos listados acima devem procurar um psicólogo.  Às vezes ele receberá um encaminhamento por parte da escola.

O psicólogo fará uma entrevista inicial com os responsáveis para colher informações importantes a respeito da criança como um todo. Somente depois é feito os atendimentos com a criança.

Durante os atendimentos com a criança podem surgir a necessidade de novos encontros com os responsáveis para coletar mais informações.

Para entender e identificar os problemas das crianças, nós psicólogos adotamos alternativas lúdicas, como brincadeiras, desenhos e jogos.

Faço uso de regras básicas que deverão ser obedecidas o tempo todo, como: é proibido se machucar de propósito; é proibido quebrar qualquer coisa de propósito; e é proibido me machucar de propósito.

Há muitos momentos em que as crianças não conseguem se comunicar com palavras, por isso também, como psicóloga, utilizo materiais como bonecos, animais, materiais de desenho, massa de modelar, brinquedos, como utensílios de cozinha, carros, animais, dedoches, revistas, etc.

A maioria das crianças adere facilmente à psicoterapia e adquire, em relação ao terapeuta, confiança suficiente para se expor, brincando livremente.

O brincar é uma técnica significativa, pois é algo natural, universal, saudável, facilita o crescimento, leva aos relacionamentos grupais e é uma forma de comunicação na psicoterapia.

É na brincadeira que a criança traz objetos e fenômenos da realidade externa para mostrar, colocar para fora a realidade interna.

O brinquedo por si só já pode ajudar a criança a se expressar, a elaborar algumas questões, a aliviar alguns sentimentos, a tentar encontrar solução para os próprios conflitos, mas é somente com a presença do psicólogo, que brinca com ela, acolhe os estados mentais e emocionais presentes durante a brincadeira que produz transformações mais profundas.

Existem algumas abordagens para o atendimento infantil. Além da Psicanalítica, temos a Existencial e a Gestalt-terapia. Ambas buscam apreender o sentido do brincar e de outras expressões da criança.

Independentemente da abordagem, a psicoterapia infantil irá trazer resultados.

Os atendimentos lúdicos possibilitam conhecer mais profundamente a criança, incluindo suas aflições, comportamentos e sentimentos.

A participação dos pais neste processo de psicoterapia infantil é essencial, pois somente assim eles terão conhecimento sobre as adversidades do filho. Os pais serão ouvidos e orientados pelos psicólogos para conseguirem auxiliar no tratamento da criança.

Mas é importante ressaltar, que em muitos dos casos, os pais também precisam de atendimento individual como pessoas e não como pais somente.

Vale ressaltar que as características do paciente, do psicoterapeuta, a qualidade da relação entre eles e as técnicas utilizadas, são variáveis que interferem no processo terapêutico.

Quais os benefícios?

São vários os aspectos positivos, sobretudo, a superação dos sentimentos e sensações que incomodam a criança.

O tratamento resolve os conflitos internos e externos que provocavam uma perturbação emocional ou física, promovendo assim o alívio dos sintomas, além de ajudar no desenvolvimento dos pequenos e também dos jovens.

A psicoterapia infantil ajuda a criança a se redescobrir, orientando-a a trilhar um caminho próprio e independente, sem importar com julgamentos ou rótulos.

Os atendimentos realizados durante a infância ou adolescência, é a alternativa ideal para garantir uma vida equilibrada, eliminando ou, pelo menos, amenizando as pressões do cotidiano, o que resulta em adultos mais seguros e satisfeitos. Com o tratamento, a criança ainda percebe a importância de viver o momento presente.

Dificilmente as crianças têm preconceitos acerca dos atendimentos. Elas não se sentem malucas ou diferentes por fazerem terapia, a não ser que os pais sustentem essa ideia.

Posso dizer por experiência própria na clínica infantil que a maioria até gosta de ter esse momento só para si. Sentem-se especiais. Psicólogos devem respeitar o tempo de cada pessoa, por isso, elas não se sentirão invadidas se estiverem com um bom profissional, muito menos se sentirão doentes.

O tratamento é realizado através de sessões de cinquenta minutos cada. A psicoterapia infantil costuma ser prazerosa para as crianças. Psicólogos brincam, pintam, conversam, jogam… fazem tudo o que elas gostam para que o tratamento flua naturalmente.

Muitas vezes esse trabalho é considerado estranho, mas acredite, anos e anos de estudo ocorreram para se chegar a essa prática, e funciona de verdade.

Afirmo que, a terapia não é o fim, mas um dos meios de se alcançar a sementinha do desenvolvimento e do autoconhecimento. Lembrando que não é de um dia para o outro que padrões de anos e anos vão mudar, é necessário ter paciência para que as mudanças não sejam apenas passageiras.

Psicoterapia Infantil e os pais da criança

O trabalho com os pais ao longo do tratamento pode seguir de várias maneiras, inclusive com sessões que reúnam a família inteira, conforme a especificidade de cada caso.

Tais manejos exigem do terapeuta uma postura flexível, devendo abranger soluções abertas e criativas. Ademais, a inclusão dos pais ou responsáveis pode fornecer informações benéficas para o tratamento.

Vai além da presença física nas sessões quando solicitada, requer comprometimento com o processo, desde não faltar às sessões, não atrasar, não interromper o tratamento, até manter abertura diante das intervenções do terapeuta e manter uma relação de confiança com ele; observar atentamente as necessidades da criança, ao que ela diz e demonstra, e aceitação diante das mudanças do filho.

Embora o tratamento seja da criança, e é com ela que o terapeuta trabalha, este processo pode causar angústia nos pais, pois as mudanças vivenciadas pelo filho alteram a dinâmica familiar, o que implica que eles também terão que reavaliar seus papéis.

O objetivo é buscar a autonomia da criança, para isso é preciso que os pais permitam que ela se desenvolva, que vá adquirindo e reconhecendo suas próprias habilidades, autoconfiança, o que não pode ser confundido com permitir que a criança faça tudo o que tenha vontade.

A autonomia diz respeito ao mundo interno da criança, e ela vai precisar justamente dos seus responsáveis como referência nesta construção. Isso mostra que a terapia não ocorre somente dentro do consultório.

Tudo o que é feito é levado para a vida, e os pais ou cuidadores têm participação ativa e indispensável no dia a dia dos filhos.

Para ajudar a identificar se os pequenos ou adolescentes necessitam da psicoterapia infantil, os pais podem recorrer ao aconselhamento psicológico, que é fornecido também por atendimento online.

Esta alternativa possibilita uma orientação específica sobre assuntos relacionados às crianças. E lembre-se: somente um profissional da área tem permissão para avaliar se a criança precisa de algum tratamento.

Em várias ocasiões, a orientação e o suporte oferecido aos pais (aconselhamento psicológico) já proporcionam uma melhora na queixa apresentada. A criança passa a receber apoio suficiente para que entenda, elabore, e supere suas dificuldades.

Quando o sofrimento da criança é muito grande, os pais podem não conseguir intervir de maneira positiva, e o apoio dos pais pode não ser o suficiente para que a criança compreenda e supere seus problemas.

Autora

Kelly Justino Zago

Sou psicóloga clínica, atendo na cidade de Franca no interior de São Paulo em meu consultório e virtualmente. Ofereço atendimentos presenciais em ludoterapia, psicopedagogia, grupoterapia, psicoterapia e atendimentos virtuais de orientação psicológica para crianças, mulheres e pais.

Procuro estar sempre antenada e capacitada diante minha profissão. Em meus atendimentos busco alcançar a melhor versão da pessoa, acredito firmemente no potencial que elas têm em conseguir realizar seus desejos e solucionar seus problemas.

Tel.: (16) 3703-8124

Whatsapp: (16) 99460-2313

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O artigo solucionou todas as suas dúvidas sobre a psicoterapia infantil? Leia também o nosso artigo sobre carência afetiva

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Kelly Justino Zago

Kelly Justino Zago

Meu nome é Kelly Justino Zago, sou Psicóloga Clínica e trabalho com crianças, mulheres e pais a fim de ajudar a entenderem o que está acontecendo, a pensar de formas diferentes e a tomar atitudes e comportamentos que irão mudar a situação que está causando sofrimento.

Sou uma psicóloga antenada, competente e procuro sempre dar o meu melhor pela sua felicidade, utilizando abordagem psicanalítica. Os atendimentos são oferecidos para todo o Brasil virtualmente através desta Plataforma.

Esses atendimentos são focados na sua necessidade e são de orientação. Agende logo sua primeira sessão!

Agendando um horário comigo você estará investindo na sua saúde emocional!
Kelly Justino Zago

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10 thoughts on “Psicoterapia infantil: como funciona e quem deve fazer?

  1. Gostei do artigo. Meu filho tem 4 anos e está fazendo terapia, fico agoniada vendo ele brincar e a psicóloga ficar olhando pra ele por 1 Hora. Ele não interage com estranhos mas já faz 4 meses q faz terapia e só fala pra ela sim ou não. É normal?

  2. Gostei muito desse site. Estava procurando algo esclarecedor. Tenho muitas perguntas a fazer. Pois venho wnfrantando problemas com o pai do meu filho, onde a criança vem presenciando cenas de agressão na casa do pai com a madrasta. Tenho receio pelo o que pode acontecer com meu filho. Viso não só preocupação mental mas também física.

  3. Boa noite. Gostei muito do texto.Cheguei ao site por acaso, na verdade procurava alguma alternativa de vídeoconferência. Meu filho tem 8 anos e não tem dificuldades de aprendizagem, mas ele apresenta sempre muita agitação. Isso me preocupa muito. Temo um dos dois extremos, ou que ele tenha algum problema, ou que eu esteja falhando nos limites. Seria possível um acompanhamento por videoconferência?

    1. Olá Samara, que bom que gostou do texto! Nós do Psicologia Viva nos preocupamos em trazer conteúdos de qualidade para nossos leitores. Quanto ao seu filho eu preciso verificar na minha base de psicólogos se existe um profissional que atenda crianças, porque não é muito usual. Entraremos em contato contigo por e-mail lhe dando um parecer. Esperamos que tudo ocorra bem!

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