Evolução da saúde mental no mundo

A saúde mental na contramão da evolução mundial

Ao olharmos o mundo atualmente, mesmo com todos os seus desafios e desigualdades, podemos concluir que vivemos em um mundo melhor.

A conclusão para afirmar provém de dados contínuos publicados por entidades como Our World in Data. Essas organizações analisam informações mundiais referente à pobreza extrema, educação, mortalidade infantil, vacinação, democracia, expectativa de vida, entre outros.

No início do século XIX, por exemplo, a expectativa de vida média mundial era de aproximadamente 30 anos. Uma expectativa tão baixa era consequência das doenças endêmicas capazes de eliminar um percentual enorme de toda a população de um país ou continente. Um exemplo, foi o que ocorreu na Europa e Ásia em períodos de Peste Negra, que matou entre 75 e 200 milhões de pessoas e um terço da população europeia.

Outros fatores que contribuíam para a baixa expectativa de vida era o incipiente avanço da medicina, a Penicilina, por exemplo, somente foi descoberta em 1928 pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming.

Com o avanço cada vez mais rápido da tecnologia e da saúde, em 2012, a expectativa média de vida alcançou 72 anos com diferenças abruptas dependendo da região do mundo. Em alguns países da África Subsaariana, temos expectativa média de vida em torno de 50 anos, já no Japão, Austrália e Espanha, supera os 80 anos.

expectativa de vida de 1800 a 2012

 

Saúde mental no mundo

Ao pensarmos na área de saúde mental, todos os indicadores animadores de evolução mundial desaparecem.

Na contramão da evolução, os indicadores relacionados à saúde mental no mundo apresentam resultados cada dia mais desafiadores e complexos: estima-se que em torno de 1,1 bilhão de pessoas sofram de algum problema mental, isto é 15 a 20% da população mundial.

Se pensarmos em agravantes externos que contribuem por tornar os indicadores ainda mais complexos, lidaremos com o uso abusivo de drogas e álcool.

A baixa notificação de casos de enfermidades mentais devido à complexidade de diagnóstico, estigma social dos enfermos e o baixo número de estudos na área, contribuem para o lento avanço na área.

Ao explorar as doenças mentais mais comuns temos a prevalência da depressão, ansiedade, transtorno bipolar, desordens alimentares e esquizofrenia.

Depressão

A depressão é uma desordem que afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo e varia de níveis brandos a muito severos. Em um nível severo da doença, ela pode ser incapacitante, causando agitação e um sofrimento constante e intenso.

Em geral, a depressão acomete um percentual maior de mulheres que de homens e as pessoas tendem a acreditar que países muito frios são os que apresentam maior incidência, na verdade, países de extrema pobreza e com altos níveis de insegurança são os mais acometidos.

Ansiedade

A ansiedade pode se apresentar através de fobias, do TOC, de maneira generalizada ou como fruto de um trauma. Estima-se que mais de 275 milhões de pessoas sofreram com sintomas de ansiedade somente no ano 2016 e, assim como a depressão, com um percentual mais expressivo de mulheres afetadas.

É muito difícil definir as causas desta doença. Como toda condição psíquica, apenas a análise da história e do modo de vida do paciente vão indicar caminhos para entender as origens do problema. Muitas questões podem estar envolvidas, como fatores genéticos, situações do passado e vivências atuais.

Transtorno bipolar

Esse distúrbio é caracterizado por episódios repetidos (ou pelo menos dois) nos quais o humor e os níveis de atividade do paciente são significativamente perturbados. Esse distúrbio consiste em algumas ocasiões de elevação do humor e aumento de energia e atividade (mania ou hipomania) e outras de baixa de humor e diminuição de energia e atividade (depressão). Globalmente em torno de 40 milhões de pessoas apresentam sintomas de bipolaridade.

O papel da psicologia

Com os números mostrados acima, fica claro que os transtornos psicológicos vêm alcançando números alarmantes e cada vez mais elevados.

Há diversas causas para isso: o mundo globalizado em que as pessoas se deslocam com maior necessidade, a vida insegurança nas grandes cidades, o custo de vida elevado, entre outras. Todos esses fatores contribuem para a elevação dos níveis de estresse e ansiedade que acabam ocasionando quadros intensos de problemas de saúde mental.

Se pensarmos no princípio da pirâmide de Maslow, nota-se que a base das necessidades da pirâmide é de ordem fisiológica e de segurança. Quando isto está comprometido, é natural surgir uma pressão psicológica que comprometa o estado de bem-estar das pessoas.  

Ao pensarmos em soluções para estes indicadores, uma afirmação é consenso: é necessário investir e estimular ações de prevenção, elas são mais baratas e efetivas.

Dentre as soluções, a prática contínua de terapia psicológica é considerada efetiva. Porém, com o pouco tempo livre que as pessoas possuem, a necessidade de deslocamentos de longa duração — seja por falta de psicólogos qualificados próximo a região de trabalho/moradia das pessoas, ou o trânsito caótico das metrópoles — e o alto custo dos tratamentos desestimulam a busca por um auxílio profissional.

Uma outra situação desestimuladora para a prevenção de enfermidades emocionais através da terapia psicológica é o preconceito, ou estigma social que a sociedade ocidental ainda tem dificuldades de lidar. Essa situação é a mais complexa, pois se resolvermos o problema de acesso, ainda teremos esse grande desafio para enfrentar.

Soluções na busca por tratamento

A melhor maneira de combater o preconceito é com educação e, por isso, levamos muito a sério o papel de conscientizar as pessoas neste blog sobre importância de cuidar de si mesmas, do corpo e também da mente.

Quanto ao acesso, uma solução comprovada como efetiva por pesquisas em grandes centros é a terapia psicológica online. Esse canal permite que as pessoas possam se comprometer de forma contínua com o tratamento, a percepção de valor pelos pacientes é similar ao encontrado por pacientes em consultórios presenciais e, em alguns estudos, há relatos de maior adesão ao tratamento de longo prazo devido a não necessidade de deslocamento a um consultório.

Caso tenha se identificado com este ou outro de nossos post, conheça nosso consultório virtual e agende uma consulta como um de nossos psicólogos.

Bráulio Bonoto

Co-fundador e CEO do Psicologia Viva (Psyalive), é mestre em saúde pública com foco em novas tecnologias. Acredita em melhoria da saúde e bem-estar das pessoas através de tecnologias que facilitam o acesso a serviços e conhecimento difundido.

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