Suicídio na adolescência: entenda melhor por que isso acontece

A fase da adolescência

A adolescência é uma fase de desenvolvimento biopsicossocial que ocorre entre a infância e a fase adulta, fase essa onde o indivíduo sofre mudanças corporais e se adapta a estruturas ambientais novas.

É aquele tempo onde os jovens desenham a sua identidade, escolhem o que fazer profissionalmente e preparam seus projetos de vida, também é a fase em que os sentimentos sexuais, agressivos e os conflitos estão no seu máximo.

Para muitos é uma fase de intensa transformação e conflitos, onde os jovens podem ter comportamentos agressivos e impulsivos ou até mesmo suicidas, como sendo o suicídio a solução para seus problemas, sendo muito comum o sofrimento psíquico.

Uma fase de risco

É necessário perceber que características próprias desta fase podem aparecer desajustadas e se traduzir em aspectos patológicos. É uma fase difícil onde o adolescente pode adotar comportamentos de risco.

Os comportamentos de risco podem sujeitar a saúde física e mental do jovem, que muitas vezes tomam algumas atitudes apenas por exploração ou pela influência do meio. 

Essas atitudes e suas consolidações trarão consequências a nível individual, familiar e social.

Por ser uma fase vulnerável, por todas as mudanças que nela ocorrem, pela busca da independência dos pais, maior valor dos amigos e pela vontade de exploração de novas situações, com as quais o jovem não sabe lidar, a adolescência é a fase onde é fácil o jovem adotar comportamento de risco.

O que se entende por risco

Por risco entende-se uma consequência da livre e consciente decisão do indivíduo se expor a uma situação na qual se busca a realização de um bem ou de um desejo, onde no percurso se inclui a possibilidade de perda ou ferimento físico, material ou psicológico.

Há três condições para a definição de risco:

  1. Possibilidade de haver perda.
  2. Possibilidade de haver ganho.
  3. Possibilidade de aumentar ou diminuir a perda ou os danos.

Os comportamentos de risco podem sujeitar a saúde física e mental do jovem.

O comportamento autodestrutivo

O comportamento autodestrutivo é uma perturbação grave e crônica que frequentemente resulta em riscos físicos, sociais e educacionais significativos. 

Tais comportamentos podem estar associados a atos manipulativos, tentativas de suicídio ou suicídio, apresentando entre si diferenças significativas relativamente ao planejamento, motivação, letalidade, psicopatologia associada, reação à descoberta e nível de intencionalidade experienciada.

Entende-se por comportamentos auto lesivos toda a ação em que o sujeito causa uma lesão a si mesmo, independentemente da intencionalidade fatal e do conhecimento do verdadeiro motivo dessa ação.

Os comportamentos autodestrutivos dividem-se em: 

Comportamentos suicidas, onde o indivíduo tem intenção de acabar com a sua vida, e comportamentos de auto dano não suicida.

O jovem muitas vezes acaba se sentindo impotente diante das dificuldades, não encontrando outra solução para seu sofrimento que não o suicídio ou o ataque de seu próprio corpo, como forma de aliviar seu sofrimento.

Por diversas vezes ouvi jovens no consultório relatando exatamente o que citei no texto acima.

Muitos dizem que se cortam para diminuir a dor que sentem no peito, outros se cortam por conta do bullying que sofrem na escola, cada um apresenta um motivo.

Me lembro que no colégio em que eu estudava havia uma garota que se cortava com um compasso, seus cortes eram sempre no formato do símbolo nazista, talvez aquilo fosse uma maneira de mostrar um misto de paixão e revolta com o nazismo.

Creio que nunca a levaram a sério, foi apenas mais uma adolescente que precisava chama atenção para algo e foi simplesmente ignorada pelos pais, pelos professores e pelo próprio colégio.

Há um tempo atrás assisti a série 13 reasons why, que conta a história de uma adolescente que sofria bullying e acabou se suicidando.

No decorrer da série ela vai enviando fitas explicando como cada pessoa contribuiu para que ela tomasse tal atitude.

A série é bem forte, porém leva a uma boa reflexão sobre o que está acontecendo com os jovens.

Por que tantos jovens estão cometendo suicídio?

“Por que as pessoas acham que é frescura?”, “de onde outras pessoas tiraram que é falta de Deus?”, “por que tantos adolescentes que sofrem são ignorados?”

Essas são algumas perguntas que passam pela minha cabeça sempre que ouço que novos casos de suicídio ocorreram.

Outro dia li uma matéria sobre mais um caso de suicídio envolvendo adolescente, era o relato de uma mãe que contava sobre o que acontecera com sua filha. Tratava-se de uma garota muito bonita que começou a se vestir com roupas largas, não queria mais frequentar as aulas de educação física na escola e a apresentar quadros depressivos. 

A mãe buscou ajuda para a filha, a mesma passou a ser medicada para tentar aliviar a depressão, porém o desânimo e a vontade de tirar a própria vida não reduzia. A mãe não entendia de onde vinha isso e nem o que acontecera e durante uma conversa com a filha ela descobriu que algo muito triste acontecerá com a filha por diversas vezes.

A garota era abusada por garotos mais velhos em todas aulas de educação física, por essa razão ela não queria mais frequentar as aulas. Passou a utilizar roupas largas para não chamar a atenção de mais nenhum garoto que pudesse cometer aquela atrocidade com ela novamente.

Conseguiu ter um relacionamento sério com um garoto, mas era muito provável que tudo o que passou afetava seu relacionamento de alguma forma. Chegou a falar abertamente com a mãe sobre o suicídio e a mãe, com medo de perdê-la, sempre a levava para o trabalho. Uma vez não pôde levá-la e a deixou na casa da avó e foi nesse dia que a filha tirou a própria vida.

No relato a mãe fala sobre o quanto foi triste toda essa situação, porém relata também que fez tudo o que pode para ajudar a filha, mas sua dor era tão grande que nada que ela fizesse a ajudaria.

Conseguem perceber que muitas vezes a ação ocorre depois de um longo tempo de sofrimento?

Há exatamente um ano ocorreu um caso desses próximo a mim. Na época trabalhava na empresa da minha família. Uma funcionária voltava do almoço e foi ao escritório falar comigo, estava aflita e dizia que seu marido havia passado em frente a casa de sua filha e viu uma ambulância do SAMU na porta.

Na hora pensei que ela pudesse ter se machucado, quebrado um braço, uma perna, enfim.

A mãe em conversa disse que esperava que a filha não tivesse tentado suicídio novamente, nessa hora meu coração apertou e pedi o telefone de seu genro para saber o que havia acontecido. Foi nessa ligação que soube que o pior havia acontecido e que tinha que passar essa informação para a mãe, mas acabei nem precisando falar nada, pois a mãe já havia entendido o que aconteceu. Foi um momento de choque, choro, emoções, abraços, desespero, um mix de sentimentos.

Tratava-se de mais uma jovem que tirara sua própria vida por simplesmente não se sentir pertencente a lugar algum e esse é um sentimento desesperador, um sentimento que causa vazio, que causa depressão e que pode gerar pensamentos suicidas.

Então digo a vocês pais, amigos, professores e escola, fiquem atentos aos jovens!

Não entendam o sofrimento como frescura e quando alguém disser que quer tirar sua própria vida, leve a sério, busque ajuda, isso pode salvar uma vida.

 

Juliana Rua

Psicóloga e psicopedagoga

CRP: 06/99271

Tel: (11) 99211-0987

Juliana Cristina dos Santos Rua

Olá, É um imenso prazer te ter aqui! Meu nome é Juliana, CRP: 06/99271, trabalho com foco nas necessidades de meus clientes, acolhendo e estruturando sessões de terapia diferenciadas, pensadas e desenvolvidas para cada indivíduo e contexto no qual está inserido. Embaso meu trabalho na ética e respeito ao indivíduo, garantindo o sigilo a cada atendimento. Sigo a abordagem da terapia cognitivo comportamental, atuando em atendimento a crianças jovens e adultos. Orientando quadros de estresse, depressão, ansiedade, fobias, sofrimento psíquico, dentre outros. Sou formada em psicologa pela Universidade São Marcos e pós graduada em psicopedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Recentemente realizei cursos de atualização voltados para transtornos ansiosos e depressivos e transtornos psicoemocionais na infância e adolescência pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Fora esses cursos, fiz formação em mentoring, coaching e advice humanizado pelo instituto Holos. Venha conhecer meu trabalho! "Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana. Carl Jung"
Juliana Cristina dos Santos Rua

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